As pernas esticadas em cima de uma mesa de madeira, o olhar perdido não com o que vê mas com o que sonha, André Carvalhas parece um guerrilheiro do Che à entrada do quartel de Guevara.
O edifício atrás de si, em tempos um tribunal, está ocupado e marcado pela guerra. As salas de audiência e os gabinetes juízes ausentes estão cobertas de camas articuladas – que por aqui carinhosamente se chamam burros do mato -, de mobílias desfeitas e estantes desengonçadas com o peso de papeis arrumados ao calhas. As janelas estão algumas estão partidas e outras tapadas. E nas varandas sacos de areia cobrem o aço negro de espingardas.
Cá fora, no átrio, estão estacionados meia dúzia de carros de guerra e ao seu lado soldados rendidos fazem a barba em bacias de improviso ao sol da manhã.
Apesar das aparências, reina a paz e o sossego no improvisado quartel Português na cidade mais perigosa do Kosovo: Mitrovica. (mais,,,)